JOYCE – NATUREZA (prod. por Claus Ogerman)
R$335,00
| A1 - FEMININA | 1:00 | |
| A2 - MISTÉRIOS | 1:00 | |
| A3 - CORAÇÃO SONHADOR | 1:00 | |
| B1 - MORENO | 1:00 | |
| B2 - DESCOMPASSADAMENTE | 1:00 | |
| B3 - CICLO DA VIDA | 1:00 | |
| B4 - PEGA LEVE | 1:00 |
Quarenta e cinco anos após sua gravação, Natureza finalmente vê a luz do dia, com a letra e os vocais em português de Joyce, como ela pretendia. Apresentando a lendária versão de 11 minutos de “Feminina”, bem como a inédita “Coração Sonhador”, composta e interpretada por Mauricio Maestro, o lançamento de Natureza é um marco na história da música brasileira.
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Pouco depois do início de sua carreira, ainda adolescente no Rio de Janeiro, Joyce foi declarada “uma das maiores cantoras” por Antônio Carlos Jobim. Apesar dos elogios e do fato de já ter gravado mais de trinta álbuns aclamados, Joyce nunca alcançou o reconhecimento internacional de nomes como Jobim, João Gilberto e Sérgio Mendes, que se tornaram estrelas globais após lançarem por grandes gravadoras nos EUA.
Houve um momento em que Joyce parecia estar à beira de um sucesso internacional. Enquanto morava em Nova York, ela foi abordada pelo grande produtor alemão Claus Ogerman. Ogerman já havia desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento e na popularização da música brasileira na década de 1960, gravando com alguns dos maiores nomes de todos os tempos, como Jobim e João Gilberto, além de ídolos norte-americanos como Frank Sinatra, Billie Holiday e Bill Evans.
“Eu o conheci em Nova York, em 1977”, lembra Joyce. “Eu morava e tocava lá, e João Palma, baterista brasileiro que tocava com Jobim, me apresentou ao Claus. Fizemos um teste, ele gostou do que estávamos fazendo e decidiu produzir um álbum conosco.”
Com a participação dos músicos brasileiros Mauricio Maestro (que escreveu/coescreveu quatro das músicas), Nana Vasconcelos e Tutty Moreno, além de alguns dos músicos mais requisitados dos Estados Unidos, incluindo Michael Brecker, Joe Farrell e Buster Williams, as gravações de Natureza aconteceram no Columbia Studios e Ogerman produziu o álbum, fez os arranjos e regeu a orquestra.
Mas, misteriosamente, Natureza nunca foi lançado, e o que deveria ter sido o grande momento de Joyce nunca aconteceu. Como Joyce lembra: “Voltei para casa, mas Claus e eu mantivemos contato, por cartas e telefonemas. Ele estava muito entusiasmado com o álbum e tentou me apresentar a Michael Franks. Ele queria que eu voltasse para Nova York para regravar os vocais em inglês com novas letras, o que, na verdade, não me agradou muito. Mas então engravidei do meu terceiro filho e não pude sair do Brasil. E, aos poucos, nosso contato se tornou raro, até que perdi completamente o contato com ele. E foi isso. Nunca mais ouvi falar dele.”
Embora Claus fosse conhecido por ser um personagem um tanto elusivo, o desaparecimento do álbum também pode ter sido consequência do timing. A febre do rock brasileiro estava chegando ao fim, abrindo caminho para a disco e a new wave no final dos anos 70, e Ogerman lutava para encontrar uma grande gravadora interessada em sua nova sensação brasileira. Além disso, como Joyce menciona, o álbum ainda não estava totalmente concluído. Ogerman queria dar os toques finais à mixagem e gravar letras alternativas em inglês para os mercados americano e internacional – uma diferença artística crucial entre Joyce e Ogerman.
À medida que o domínio da ditadura militar sobre o Brasil começou a diminuir na década de 1980, Joyce lançou alguns sucessos em seu país natal, incluindo uma homenagem às suas filhas, “Clareana”, e a icônica “Feminina” — uma conversa intergeracional entre mãe e filha sobre o que significa ser mulher. Mas, já pioneira do feminismo, esses sucessos foram conquistados com muito esforço. Joyce causou polêmica aos dezenove anos, quando se tornou a primeira no Brasil a cantar sob a perspectiva feminina em primeira pessoa, e o sexismo institucional que ela enfrentou foi agravado pela ditadura, que frequentemente censurava sua música. Mesmo depois que a Junta saiu do caminho, Joyce se viu em conflito com as grandes gravadoras brasileiras, dominadas por homens, que buscavam ditar sua carreira e sexualizar sua imagem, antes de dispensá-la por se recusar a colaborar.
Poucos anos após o sucesso de seus álbuns Feminina e Água E Luz no Brasil, a música de Joyce começou a chegar ao Reino Unido, Europa e Japão, e ‘Feminina’ e ‘Aldeia de Ogum’ se tornaram clássicos nas cenas underground de jazz-dance de meados ao final dos anos oitenta e início dos anos noventa.
A versão completa de “Feminina”, das sessões de Natureza, foi ouvida pela primeira vez em uma coletânea de jazz brasileiro em 1999, e “Descompassadamente” foi licenciada para um CD compilando o trabalho de Claus Ogerman em 2002. Depois disso, começaram a surgir rumores sobre um álbum inédito de Joyce com Claus Ogerman, e a lenda de Natureza cresceu.
Quarenta e cinco anos após sua gravação, Natureza finalmente vê a luz do dia, com a letra e os vocais em português de Joyce, como ela pretendia. Apresentando a lendária versão de 11 minutos de “Feminina”, bem como a inédita “Coração Sonhador”, composta e interpretada por Mauricio Maestro, o lançamento de Natureza é um marco na história da música brasileira e representa uma vitória triunfante, ainda que tardia, para Joyce como uma artista feminina franca que se recusou consistentemente a ceder à pressão patriarcal.
***Aviso legal! Enquanto “Feminina” e “Descompassadamente” foram mixadas pelo lendário engenheiro Al Schmitt e masterizadas a partir das fitas master originais, as cinco faixas restantes não foram mixadas. Devido à deterioração significativa das fitas master, a melhor fonte de áudio para essas faixas foi uma cópia não mixada das gravações que Joyce guardou. A restauração e a masterização deste lançamento foram feitas com extremo cuidado, mas a qualidade do som pode diferir de outros lançamentos da Far Out Recordings.

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